Nada como a sensação de felicidade após a compra das passagens para a próxima viagem. Quem ama explorar o mundo sabe como é bom ter o próximo destino garantido.

No entanto, logo após a alegria, mesmo o mais experiente dos viajantes se depara com a seguinte dúvida: onde irei me hospedar?

A hospedagem influencia diretamente na experiência vivida durante a viagem. Há aqueles que gostam de estar no centro de tudo, os que preferem festas, outros escolhem a calmaria. Seja qual for seu estilo de viagem, para todos os perfis (e bolsos) há um estilo de acomodação que combina mais com você.

Para você não passar sufoco, separamos os estilos de hospedagem mais comuns e quais as particularidades de cada um deles.

Hotel

O mais conhecido entre os tipos de acomodação, um hotel é todo estabelecimento comercial dedicado e especializado no alojamento de hóspedes. Historiadores do turismo acreditam que a prática teve início durante os primeiros jogos olímpicos em Olímpia, na Grécia Antiga. O festival, realizado a cada quatro anos, reunia um grande número de visitantes e competidores. Por conta do alto fluxo, foi necessário criar um local próprio para a hospedagem destas pessoas: assim, nascem os hotéis.

Da Grécia Antiga para os dias de hoje je, muita coisa mudou. Os hotéis estão espalhados por todo o mundo e oferecem diversos serviços além da acomodação, como piscinas, restaurantes, spas e academias. A infraestrutura e os preços variam bastante entre eles, e por isso existem diferentes nomenclaturas para designar os tipos de hotel.

Hotel de Rede

São hotéis com atendimento e infraestrutura padronizados e presentes em vários locais do país – ou do mundo. São também os mais famosos – qual viajante nunca ouviu falar no luxuoso Hilton ou na famosa rede Ibis?

Além da padronização, no geral os hotéis de rede buscam estar sempre em localizações estratégicas, próximos a bairros importantes ou centros comerciais. Mas apesar de terem o mesmo conceito, a estrutura e os serviços deste tipo de hotel variam bastante a depender da rede.

Quem prefere hotéis pomposos e mais caros possui opções como o The Ritz-Carlton ou Four Seasons. Já os que prezam pelo baixo custo podem se hospedar no famoso Ibis Budget ou na nova sensação no mundo da hospedagem, a startup indiana OYO.

Pousada

Muito famosas no Brasil, as pousadas são hotéis com uma estrutura menor e mais intimista. No geral, possuem no máximo 30 acomodações – quando muito! Costumam também ter um gerenciamento mais familiar e centralizado. Muitas vezes é o dono da pousada quem está à frente do negócio e é ele quem recepciona hóspedes ou cuida das contas do local.

A maioria das pousadas possui opções de quarto para grupos entre 1 e 4 pessoas. Os preços e os tipos de hospedagem variam entre as pousadas a depender da infraestrutura e da localização. É uma opção muito interessante para quem viaja em família ou quer a privacidade de um hotel sem perder o charme de um negócio familiar.

Bed and Breakfast

Parecidas com as pousadas, o Bed and Breakfast (ou BnB) são casas nas quais os donos transformam alguns dos quartos em hospedagem para viajantes.

Além da acomodação, o BnB necessariamente oferece café da manhã aos hóspedes. Não poderia ser diferente - afinal, a tradução literal do termo é “cama e café da manhã”. Pode ou não conter serviços extras como piscina.

É uma ótima escolha para quem gosta do clima de pousadas, mas busca uma opção um pouco mais econômica e não se incomoda em estar debaixo do mesmo teto dos anfitriões. Já para quem gosta do agito, talvez não seja a melhor opção hospedar-se na casa de outra pessoa.

Hotel Boutique

O hotel boutique é um serviço de acomodação mais intimista, porém luxuoso e especializado. No geral, são estabelecimentos com poucos apartamentos, mas uma grande infraestrutura de lazer. Possuem ênfase maior em elementos artísticos, sendo sempre belos e charmosos.

Devido à exclusividade e ao grande investimento em lazer e estética, os hotéis boutique muitas vezes são classificados como quatro ou cinco estrelas. Por isso, atente-se ao preço: muitas exclusividades vêm acompanhada de altos custos.

Resorts

Sinônimo de conforto e praticidade, os resorts são estabelecimentos que proporcionam aos hóspedes uma experiência completa de férias. Tão completa que o Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem (SBClass), do Ministério do Turismo, define 35 pré-requisitos para classificar uma hospedagem como um resort. Um hotel, por exemplo, possui apenas 9 exigências.

Por oferecer uma experiência completa de férias aos hóspedes, os resorts são afastados dos centros urbanos. No geral, estão localizados em cidades turísticas conhecidas pela natureza abundante. No Brasil, por exemplo, muitos resorts estão concentrados na região nordeste, um popular destino de férias.

Além disso, os resorts oferecem muitos serviços aos seus usuários. Muitas vezes, o resort deixa de ser um local de hospedagem para se tornar o próprio destino da viagem. Restaurantes, complexos de piscinas, spas, academias, quartos confortáveis, integração com a natureza e passeios são apenas algumas das atividades possíveis em um resort.

Tudo isso vem com um preço, é claro – e ele é alto. Mas se o seu objetivo de viagem é relaxar e curtir um bom passeio, em um resort você nem precisa sair do hotel. Além disso, muitos oferecem pacotes promocionais que acabam sendo um ótimo custo-benefício, em especial para famílias com crianças. Pode ter certeza que elas vão adorar a hospedagem em um resort!

Albergue (Hostel)

O conceito do albergue (hostel) é bem similar ao de um hotel: um estabelecimento comercial especializado em hospedagem. A principal diferença é que, nos albergues, os quartos são compartilhados entre os hóspedes. Em um hotel, alugam-se quartos. No albergue, a maioria dos hóspedes irá alugar uma cama em um quarto, e não ele inteiro. Existem hostels que oferecem a opção de quartos privativos, mas elas são sempre minoria em relação aos quartos compartilhados.

Frequentado principalmente por jovens viajantes, os albergues costumam ter preços mais em conta que os hotéis. A maioria deles possui entre 4 a 12 camas compartilhadas em um mesmo quarto. Alguns, porém, chegam a oferecer até 30 ou mais camas em um mesmo espaço.

O quarto não é o único espaço compartilhado em um albergue. Além dele, o banheiro também é dvidido – seja entre os que alugaram camas no mesmo espaço ou entre um andar inteiro do hostel. Além disso, muitos albergues oferecem o espaço e os utensílios da cozinha para seus hóspedes. Aos que gostam de manter a viagem o mais barata possível, esse é um ponto muito positivo dos albergues, já que assim é possível economizar com restaurantes.

Party Hostel

Assim como os hotéis, também existe uma divisão clara entre os tipos de albergue. Os mais famosos são os party hostels, ou albergues de festa. Como muitos deles são frequentados por jovens, é comum que algumas pessoas cheguem tarde no quarto após uma festa. Mas o que alguns não sabem é que, muitas vezes, a festa aconteceu no próprio albergue!

Muitos albergues são famosos por oferecer oportunidades de socialização entre seus hóspedes. Esse é inclusive um dos maiores atrativos do hostel: além do preço em conta, é muito difícil realizar o check-out sem criar uma amizade ou, ao menos, ter uma ótima conversa.

Vale a pena?

A hospedagem em um albergue é uma ótima opção para conhecer pessoas. Para quem viaja sozinho é ainda melhor, já que é possível conhecer e convidar pessoas para os passeios pela região. Além disso, os preços em conta são muito atrativos para quem deseja economizar ao máximo.

Mas existem pontos negativos que precisam ser levados em conta. Compartilhar um quarto, além da perda de privacidade, significa abrir mão do controle de certas situações. Não é comum, mas pode acontecer de pessoas ficarem conversando até tarde ou chegarem no quarto fazendo barulho.

Além disso, o compartilhamento de banheiros pode ser um grande problema, principalmente para os destinos de praia. Imagine só a fila do banheiro após um dia de sol e mar – é garantido que será longa.

Portanto, se você não abre mão da sua privacidade, é melhor procurar um outro tipo de hospedagem. Mas se você busca por um local divertido, com muitas oportunidades de socialização e preços mais em conta, o albergue é o seu destino ideal!

Airbnb

O Airbnb virou sinônimo de locação temporária de casas. Ele não é o único serviço a oferecer este tipo de hospedagem, mas foi pioneiro na modalidade. Hoje, essa é uma das formas  de hospedagem mais conhecidas e procuradas.

O conceito do Airbnb é, em partes, parecido com o de um hotel – troca de hospedagem por pagamento em dinheiro. Entretanto, não se trata de um estabelecimento comercial. No Airbnb, uma pessoa comum pode colocar sua casa à disposição dos viajantes.

Aliás, não só a casa: é possível alugar apartamentos ou somente um único quarto, mas também castelos e até uma casa hobbit!

Para os viajantes, basta escolher o local, a data, a faixa de preço e estudar todas as opções. Como são muitas, o custo varia. Para quem viaja sozinho, o custo-benefício pode não valer a pena. Entretanto, o Airbnb costuma funcionar muito para viagens com grandes grupos, já que a divisão de valores diminui o preço que cada um irá pagar.

Um ponto muito positivo do Airbnb é a sensação de estar em casa – afinal, você está! Para quem preza a privacidade mas quer se sentir como um local, o Airbnb é a escolha certa. Além disso, estando em uma casa é possível ter acesso à cozinha, o que significa menos idas à restaurantes e mais economia na viagem.

Mas é importante estar atento. Leia os reviews de outros viajantes que já se hospedaram no mesmo local para pegar dicas e garantir que o local é seguro.

Couchsurfing

Em uma tradução livre, couchsurfing significa “surfando no sofá”. Na prática, é ter como hospedagem o sofá da casa do anfitrião - em um sentido figurativo, é claro. Nem sempre o local disponibilizado é o sofá. Pode ser um quarto, uma parte da sala, uma rede no jardim... as opções são muitas!

Ao redor do mundo, milhares de pessoas disponibilizam gratuitamente espaços em suas casas para receber viajantes. Esse, aliás, é outro ponto importante sobre o serviço: ele não envolve troca de dinheiro, sendo completamente gratuito para ambas as partes.

Mas o que leva alguém a querer ceder gratuitamente um espaço de sua casa para um estranho? Para os envolvidos, um dos maiores atrativos da prática é a troca de valores e experiências. É comum que os usuários do serviço queiram conhecer novas pessoas e novas culturas.

Quem hospeda muitas vezes atua como um guia local para os viajantes. Já para os viajantes, existe a troca de gentilezas, como preparar um jantar para o host ou levar um presente de boas-vindas.

No geral, as experiências são inesquecíveis. Quem utiliza o couchsurfing muitas vezes viverá ótimas experiências e terá muita história para contar. Para os que querem viver como locais e conhecer novas pessoas, essa é uma ótima opção de hospedagem – sem contar a gratuidade do serviço.

Entretanto, é preciso ter em mente que o couchsurfing não é para todo mundo. Quem gosta de viajar e explorar os locais sozinho pode se sentir incomodado com a proximidade ao anfitrião. Esse argumento também é válido para aqueles que gostam de privacidade ao chegar em casa após um dia de passeio.

Além disso, existe a questão da segurança. Não é possível garantir que o couchsurfing tenha a mesma segurança de um hotel. Por isso, esteja sempre atento aos reviews do anfitrião antes de fechar qualquer estadia.

Permuta (Work Exchange)

Já pensou em trocar algumas horas de trabalho por hospedagem gratuita? Essa é a proposta de sites como o Worldpackers, que conecta viajantes em busca de economia às hospedagens que precisam de serviços. A permuta, portanto, nada mais é do que a troca do trabalho por hospedagem.

O funcionamento é bem simples. Alguns estabelecimentos (principalmente albergues) disponibilizam diversas oportunidades de trabalho por poucas horas diárias: recepcionista, bartender, auxiliar de limpeza e até permacultura. Em troca, oferecem um local de hospedagem para o viajante – seja uma cama em quarto compartilhado ou até um espaço privativo.

Muitas vezes os estabelecimentos também oferecem outros benefícios, como alimentação e lavanderia. Por isso, o work exchange acaba sendo uma ótima escolha para quem precisa economizar ao máximo em sua viagem.

O grande problema é: muitos não querem trabalhar durante suas viagens, e sim utilizá-las para aproveitar ao máximo o destino escolhido. Além disso, a maioria dos estabelecimentos aceita apenas viajantes por no mínimo 2 semanas. Para quem pretende ficar pouco tempo, é melhor estudar outras opções de hospedagem.

E agora, o que escolher?

Para escolher a melhor hospedagem para a sua viagem, planeje-se e pesquise!

O primeiro passo é saber que tipo de viagem você irá fazer. Para isso, faça-se muitas perguntas. Sua viagem terá curta ou longa duração? Você quer gastar pouco ou está mais interessado em curtir todas as possibilidades do destino? É melhor priorizar a privacidade ou conhecer pessoas diferentes? Quer estar no centro de tudo ou afastado da urbanização?

O próximo passo é pesquisar sobre todas as opções possíveis dentro do que você definiu que seria a sua viagem.

Por exemplo: quer gastar pouco, conhecer pessoas diferentes e localizado perto de onde tudo acontece? Busque albergues próximos ao centro do destino escolhido e escolha aquele com o melhor custo-benefício para você. Está pensando em uma viagem longa, mas não tem muito dinheiro? Talvez seja interessante considerar uma permuta.

É importante também ler as resenhas dos locais levantados como opções. A experiência de outros viajantes te ajudará muito na hora de decidir a hospedagem ideal.

Pode não parecer, mas a acomodação diz muito sobre a experiência geral da viagem. Por isso, identifique suas necessidades, planeje-se com antecedência e pesquise antes de decidir. Escolheu? Agora é só aproveitar – e boa viagem!