Quem já planejou uma ida ao continente europeu provavelmente reconhece o nome Ryanair. A companhia aérea irlandesa é a maior empresa de voos low-cost da Europa e é sempre recomendada para quem busca maneiras de economizar na viagem.

Por lá, o modelo de companhia aérea low cost é consolidado com empresas que atuam há mais de 30 anos no mercado, como a EasyJet e a Norwegian.

No Brasil, o modelo de companhia aérea low cost chegou apenas em novembro 2018 com a chilena Sky. A demora para a introdução do modelo no país esteve ligada a entraves legais e econômicos.

Em junho de 2017 entrou em vigor a Resolução nº 400/2016 da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Por meio dela, as empresas aéreas foram autorizadas a realizar cobranças pelo despacho de bagagens. Este foi um dos primeiros destraves realizados para a entrada do modelo de companhia aérea low cost no Brasil.

O segundo e maior atrativo foi a mudança da legislação para permitir maior participação do capital estrangeiro em empresas aéreas. Antes, o Código Brasileiro da Aeronáutica determinava que ao menos 80% do capital com direito a voto deveria pertencer a brasileiros.

Com a Medida Provisória 863/18, sancionada em junho de 2018, foi autorizada a participação de até 100% de capital estrangeiro nas empresas do setor. Isso abriu portas para o interesse de muitas companhias aéreas no Brasil, inclusive as low cost.

Mas você sabia que algumas delas já estão operando por aqui? Confira quais companhias aéreas low cost já operam no Brasil e tudo o que você precisa saber antes de considerá-las para sua próxima viagem.

QUAIS DELAS ESTÃO OPERANDO NO BRASIL?

No Brasil, três empresas já estão operando no mercado: a Sky; a norueguesa Norwegian; e a argentina FlyBondi. Para 2020, o país também receberá a chilena JetSmart, que promete passagens para o trecho Guarulhos – Santiago a partir de R$ 299.

Por enquanto as companhias aéreas operam apenas em trechos internacionais. A Sky Airline oferta apenas os trajetos São Paulo/Rio de Janeiro/Salvador – Santiago. A Norwegian liga o Rio de Janeiro a Londres. Já a FlyBondi tem voos saindo de Florianópolis, São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro unicamente para Buenos Aires.

O desafio, agora, é trazer as companhias aéreas low cost para o mercado doméstico, com voos internos no Brasil. Uma grande barreira são os custos de impostos e o valor elevado do combustível em solo nacional.

Entretanto, a expectativa para os próximos anos é receber cada vez mais companhias aéreas low cost no Brasil. Após a extinção do limite de capital estrangeiro, a Anac confirmou negociação com várias empresas, como a americana Jet Blue e a gigante Ryanair.

E há notícias boas para o mercado doméstico. A gigante Air Europa criou recentemente a Globalia Brasil, companhia que pretende ofertar voos domésticos no país – e, talvez, na categoria low cost.

É BARATO MESMO?

Sim. As companhias aéreas low cost de fato possuem preços abaixo do mercado tradicional. No exterior, é possível encontrar trechos internacionais a partir de 19 euros (cerca de 85 reais), às vezes até menos. Uma passagem de ida em Paris para Lisboa, por exemplo, pode sair por menos de 100 reais.

No Brasil, os preços ainda não são tão baratos. Os principais motivos apontados pelas companhias são a taxação, o preço do combustível e a falta de concorrência.

Entretanto, é possível encontrar passagens com preços bem mais em conta em relação às companhias tradicionais. A Sky, por exemplo, oferece o trecho São Paulo – Santiago por cerca de R$ 225 em certas datas.

É SEGURO?

Uma das maiores crenças sobre uma companhia aérea low cost é a de que os preços são mais em conta devido às piores condições de segurança das aeronaves. Será que isso é verdade?

A resposta é clara e simples: não. As companhias aéreas low cost utilizam aeronaves das empresas tradicionais. Existem diferenças, claro, mas elas estão presentes no ambiente interno do avião.

Além disso, as cias. aéreas low cost necessitam dos mesmos processos de auditoria e certificação de segurança. Todas as normas de segurança precisam ser cumpridas com a mesma rigidez de uma empresa tradicional.

O que determina o risco de acidente em um voo é, principalmente, o trajeto do avião. Ou seja: é mito a ideia de que, no quesito segurança, o barato sairia caro.

POR QUE É MAIS BARATO?

Se as empresas não podem deixar de contar com certificados, auditorias e processos de segurança, o que as torna mais baratas?

Em resumo, as cias aéreas low cost se esforçam ao máximo para diminuir o custo de despesas fixas. Para alcançar este objetivo, elas ofertam unicamente o direito de viajar.

Isso significa que os custos de serviços tradicionalmente oferecidos por companhias aéreas são eliminados, como os lanches, fones de ouvido ou a marcação de assento.

Além disso, existem alguns outros fatores que tornam as passagens destas empresas mais baratas. Confira alguns deles:

Cobrança por serviços

Como já citado, as companhias aéreas low cost não oferecem vários dos confortos com os quais estamos acostumados. Alguns deles, como as refeições, já vem sendo cobrados por companhias aéreas tradicionais, como a Latam e a GOL Linhas Aéreas.

Entretanto, muitas vezes ainda existe a opção de algum lanche gratuito. Em uma companhia aérea low cost, todo lanche é cobrado. Água, café ou suco? Cobrados. Biscoitinho? Cobrado.

Além disso, serviços com os quais não estamos acostumados a pensar que podem ser cobrados também o são. A marcação de assento é paga, o despache das bagagens e até o check-in no balcão são pagos.

Venda de publicidade

Se poluição visual te incomoda, o voo com uma cia aérea low cost não é para você. Para aumentar a receita, as aeronaves costumam ser adesivadas externa e internamente com propagandas de outras empresas. As poltronas também possuem espaço para publicidade.

Além disso, é comum haver nos voos ações de marketing e venda de produtos por parte dos comissários. Os voos da Ryanair, por exemplo, são famosos por sua venda de raspadinha e bilhetes de loteria.

Diminuição da despesa com combustível

Um dos fatores que mais influencia no preço de uma passagem aérea é o combustível. Por isso, uma companhia aérea low cost busca medidas para economizar ao máximo nesse tipo de despesa.

Então, nada de esperar um ar condicionado potente enquanto o voo estiver em solo. Até os níveis de água nos reservatórios do banheiro são diminuídos. Tudo o que puder ser cortado para diminuir as despesas com combustível será.

Não é à toa que as cias aéreas low cost são tão rigorosas quando o assunto é o peso da bagagem. Quanto mais pesada a aeronave, maior será o gasto com combustível. Portanto, fique atento aos pesos estipulados para bagagem de mão ou prepare-se para pagar o despache.

Menores custos com mão de obra

No geral, uma cia aérea low cost busca realizar todos os seus processos de venda e emissão de passagens online. Além de diminuir os gastos com produtos e processos (o uso de um totem para emissão, por exemplo), esta medida permite que seja reduzido o número de pessoal nos aeroportos.

A empresa busca utilizar a tecnologia para automatizar ao máximo os processos e, assim, reduzir os custos com mão de obra.

Além disso, os funcionários de uma companhia aérea low cost costumam desempenhar multitarefas e podem receber salários abaixo da média do mercado.

Mais assentos e padronização

A companhia aérea low cost costuma ter aeronaves de um mesmo modelo e totalmente padronizadas, evitando custos com treinamento de pessoal.

A configuração dos aviões costuma ser feita de modo a otimizar ao máximo o espaço, a fim de possibilitar a maior densidade. Na prática, isso significa um espaço menor entre os assentos e, às vezes, poltronas não-reclináveis.

Além disso, as poltronas são padronizadas. Não existe a tradicional diferenciação entre classe executiva e primeira classe. Esta configuração permite um número maior de assentos e, consequentemente, mais passageiros nos voos.

A padronização também existe na tarifação das passagens. Uma companhia aérea low cost geralmente simplifica a precificação das tarifas: quanto mais perto do voo, mais caro.

E, para os fãs de programas de fidelidade, uma má notícia. A maioria das empresas low cost não trabalha com milhas ou qualquer forma de fidelidade. Com tanta busca por economia, não poderia ser diferente.

E AÍ, VALE A PENA?

Tudo depende do estilo de viagem que você busca. É importante pensar o quanto os serviços extras são importantes para você. Para quem não abre mão do conforto, talvez uma companhia aérea low cost não seja a melhor pedida.

Avalie, principalmente, o tempo do voo. Uma viagem de São Paulo para Buenos Aires leva, em média, 3 horas. Mas uma aeronave do Rio de Janeiro para Londres leva, em média, 11h para aterrissar. Vale a pena, para você, abrir mão do conforto por tantas horas seguidas?

Mas se a sua proposta é economizar ao máximo, então é simples: vale a pena – e muito! Mesmo no Brasil, onde ainda há muitas barreiras tarifárias e poucos trechos, os preços já indicam que vale a pena considerar uma companhia aérea low cost para sua próxima viagem.

A tendência para o mercado aéreo para os próximos anos é receber ainda mais companhias low cost. Por isso, fique ligado e nunca se esqueça de comparar os preços e benefícios ao planejar a sua viagem.